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Escalando na Europa por Vini Todero |
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A idéia de fazer uma viagem à Europa para escalar fazia parte de meus planos desde 2002 quando ingressei na faculdade. Finalmente em setembro de 2007, mais precisamente dia 21, logo após minha formatura embarquei para a Espanha, para cinco meses de muita escalada. Nesta pequena matéria irei apresentar algumas informações referentes à escalada em diversos setores europeus e um setor no continente africano. 1º mês Rodellar – Como este é um dos setores mais conhecidos do
mundo dispensarei descrições, só irei salientar que
em menos de 1 km de cânion tem mais oitavos graus franceses que no
Brasil inteiro. Alguns deles com mais de 40m de altura e com inclinação
média de 40º, onde abundam as chorreiras e as agarras grandes. 2º mês Les
Calanques – Este setor possui 13 km de paredes e falésias
próximas ao mar e apresenta mais de 3000 vias de 2b e 9a francês,
isso mesmo, 2b. No livro croqui do setor existem vias deste grau, tentei
sem sucesso entender como se gradua um 2b, mas tudo bem, além do
mais, estas vias são super bem protegidas com grampos químicos
bastante próximos uns dos outros. Talvez por isso na França
a escalada seja um dos esportes nacionais praticados por muitos. Gorge du Tarn – Localizado próximo à cidade de Millau, famosa pelo Ptzel Rock Trip, este setor de calcário avermelhado é conhecido por suas vias esportivas bastante altas, escalei algumas com cerca de 60 metros. Gorge la Jonte – Um dos piores setores que já escalei, a rocha é completamente podre e suja, começamos a escalar 3 vias e desistimos das 3 antes da metade. Não recomendo. Bioux – Setor famoso na década de 80, onde foi encadenado o primeiro 8a+, feminino com a via Chouca, que também aparece no vídeo Master of Stone III. É outro setor bastante importante na história da evolução da escalada francesa, apresenta vias extremamente difíceis e técnicas em paredes verticais com bidedos abaloados. Sadernes - Escalei apenas 2 dias neste setor, que apresenta cerca de 300 vias de todos os graus. Não é um área muito interessante, ao menos os setores que conheci, mas vale uma passada se estiver por perto. Montgrony - Esta área de escalada foi uma das mais agradáveis que conheci, além do visual deslumbrante, é calma e apresenta ótimas vias em chorreiras, com destaque para a via Aromas de Montgrony, 8a+ (10a BR), que se não fosse as três primeiras agarras de resina (fato observado com certa freqüência na europa), seria uma via perfeita, com duas chorreiras paralelas na primeira parte, e em seguida uma chorreira única até o fim da via. Após alguns dias na Espanha voltei para Marseille, onde permaneci por mais uns 10 dias e logo voltei a Barcelona, onde pude escalar por dois dias em Montserrat. Montserrat – É uma área de escalada gigantesca, muito próxima de Barcelona, cerca de 40 km, que apresenta uma quantidade enorme de vias, na suas grandes maiorias verticais, tanto tradicionais como esportivas em um conglomerado cheio de buracos. Este conjunto de montanhas é motivo de orgulho para os habitantes de Barcelona e região e fica cheio de escaladores e excursionistas durante os finais de semana. As vias esportivas são em geral de continuidade e técnicas. 3º mês Montsant – Esta zona de escalada encontra-se bastante próximo
a Siurana e apresenta uma grande quantidade de vias de continuidade. Escalei
em apenas um setor desta zona chamado Racoll, que apresenta vias bastante
longas, algumas com cerca de 60m, e onde já rolaram algumas cadenas, à vista,
bastante famosas como o primeiro 8b+ (10c BR) feminino, realizada por Josune,
na via Hidrofobia. Cogul – Foi uma das poucas zonas de boulder que conheci nesta viagem. Apresenta boulders muito legais em arenito. Recentemente foi realizada uma edição do X-tones nesta zona, onde estivera presentes diversos escaladores de renome. 4º e 5º meses El Chorro - Chegamos neste setor no dia de Natal, nesta época o setor fica lotado de escaladores dos países mais frios da Europa. Permanecemos cerca de 10 dias nesta zona, 5 deles próximo ao setor Poema Roca, e depois do ano novo, que é bastante animado no refugio de El Chorro, escapamos do tumulto e fomos para o setor Maquinodromo, onde estão as melhores vias. A maioria das vias esportivas são de resistência e com muitas chorreiras, porém muitas destas vias encontram-se polidas, ou seja, as agarras, das vias mais freqüentadas, perdem sua textura natural tornando-se bastante lisas. Este problema está se agravando cada vez mais com a popularização do esporte. Inclusive em Rodellar que é um setor mais novo que El Chorro, já existe vias extremamente polidas. Após El Chorro, resolvemos ir para o Marrocos, inclusive para tentar renovar o meu visto de turista, pois eu já estava ilegal. Neste país permanecemos 8 dias, dos quais dois em Gorge du Todra. Gorge
du Todra - Este local é um Cânion gigantesco com cerca
de 13km de comprimento e paredes de até 150m de altura. A rocha é calcário,
porém bastante diferente do encontrado na maioria dos setores europeus.
A escalada começou a se desenvolver no Marrocos a cerca de 15 anos
com a abertura das primeiras vias por Espanhóis. Existem muitas
vias, na sua maioria de 2 ou 3 cordadas, e alguns setores esportivos. A
comunidade escaladora local, assim como grande parte das pessoas que lidam
com turistas no Marrocos, parecem bastante receptivos, até o ponto
que você não compra o que eles tem para vender, ai eles mudam
e muitas vezes você se sete intimidado a comprar, para evitar problemas.
Foi o que aconteceu quando me senti intimidado a comprar um livro guia
do local, na verdade era um monte de folhas de oficio xerocadas com os
croquis feita a mão, o problema não seria este, o problema
era o valor, 20 euros. Que consegui comprar após muito tempo de
negociação por €15. Depois do Marrocos partimos diretamente para Barcelona onde tive a oportunidade de voltar a Montserrat por um dia. Na seqüência partimos para a França onde escalei alguns dias em Les Calanques. Por fim partimos para a Itália, onde escalei na região de Arco por cerca de 4 dias. Arco – Esta zona de escalada é uma das mais famosas da Itália.
Escalei em apenas um setor desta zona chamado Masoni, onde se encontra
a famosa via Undergraund, 8c+/9a (11b/11c BR). Este setor de calcário
macio possui vias de resistência, na sua maioria negativas com agarras
grandes e chorreiras. O visual do local também é belo, valendo
a pena um passeio pela cidade de Arco, e por suas lojas de escalada, cerca
de 5, em uma cidade que eu acredito que não tenha mais de 15.000
habitantes, e o melhor é que estas lojas apresentam uma grande variedade
de marcas e modelos e são mais baratas que as demais que visitei
na Europa.
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