Resumo para o Salão de Extensão 2008

 

 

UFRGS – UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
DEDS – DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL / PROGRAMA CONEXÕES DE SABERES – DIÁLOGOS ENTRE A UNIVERSIDADE E AS COMUNIDADES POPULARES


TÍTULO: DESENVOLVENDO O DIÁLOGO ACADEMIA/ ONG AFROSUL: POTENCIALIDADES DO ESPORTE NA SOCIALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL

SÍNTESE:
Este trabalho está vinculado às atividades do Programa Conexões de Saberes/ UFRGS, e tem como objetivo analisar os processos de interação social e construção identitária de adolescentes em situação de vulnerabilidade social atendidos pela ONG Afrosul/ Odomodê, localizada no município de Porto Alegre. Através da realização de observação participante com estes adolescentes em uma oficina de iniciação à Escalada Indoor, buscamos captar as formas interativas e os processos de individuação específicos ativados por estes no exercício da atividade esportiva.
PALAVRAS-CHAVE:


Construção identitária
Interação social
Esporte
ONG Afrosul/ Odomodê

RESUMO:
O presente estudo é um desdobramento do Projeto de Extensão “Desenvolvendo o diálogo Academia/ ONG AFROSUL”, que visa oportunizar uma interface para os conhecimentos acadêmicos e populares, de bolsistas do Programa Conexões de Saberes, da UFRGS/ SECAD/ MEC, e adolescentes atendidos pela ONG AFROSUL/ ODOMODÊ. A referida ONG está localizada no município de Porto Alegre, e atende diariamente, em média, 50 (cinqüenta) crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, que em horário inverso ao escolar, participam de oficinas de música, dança, malabares, expressão corporal, atividades esportivas, capoeira, etc., do Programa “Arte é Educação”. Igualmente, esta instituição presta ainda, atendimento social aos moradores das comunidades de seu entorno, da Vila dos Anjos e da Vila Sossego; de onde provém a grande maioria dos jovens atendidos pela ONG. As atividades dos bolsistas do Programa Conexões de Saberes, inseridos neste território, visa estabelecer uma via de “mão-dupla”: por um lado, pretende dar oportunidade de acesso, sobre os conhecimentos produzidos em âmbito acadêmico, aos adolescentes da ONG; e, por outro, busca apreender os saberes populares que emergem e circulam neste contexto. Através da realização específica de oficinas de esporte, objetiva-se: a) observar e analisar as formas de interação e individuação que estes jovens produzem através da prática esportiva; b) oportunizar o exercício de uma atividade esportiva diferente das atividades que eles estão habituados a praticar, no presente caso, Escalada Indoor; e c) estudar as possíveis relações entre o comportamento destes jovens, que emerge no desenvolvimento destas atividades esportivas, e suas construções identitárias. As oficinas de esporte foram realizadas junto ao muro de escaladas, localizado no Ginásio 2 do Campus Olímpico da Escola Superior de Educação Física da UFRGS, durante três dias. A Escalada Indoor é uma atividade realizada em murol, onde são dispostas agarras artificiais que simulam o ambiente natural (rocha). Para a sua realização neste tipo de espaço são poucos os materiais e equipamentos requeridos; como tênis apropriado (sapatilha), roupa confortável (abrigo, bermuda,etc.) e carbonato de magnésio (pó que mantém as mãos secas, evitando que elas escorreguem nas agarras). Por intermédio de contato com a Associação Gaúcha de Montanhismo (AGM), foi estabelecida uma parceria fundamental para realização do projeto. A AGM além de disponibilizar o espaço (muro) e material necessário para a atividade (sapatilhas e pó de magnésio) forneceu todo o suporte teórico/ técnico para o desenvolvimento das atividades, por meio da orientação de seus instrutores. Nosso objetivo a partir da realização da oficina de Escalada Indoor visava, além do desenvolvimento de uma observação-participante, aproximar o grupo de uma atividade esportiva diferente, desmistificando a idéia recorrente, da impossibilidade de aprendizagem de algum esporte, segundo critérios étnicos e sociais e, assim, ao mesmo tempo fugir do lugar-comum, do esporte mais praticado por estes adolescentes, a saber, o futebol. Observamos que os adolescentes tiveram participação ativa na proposta da oficina, comparecendo em grande número, ainda que os meninos tenham demonstrado mais interesse do que as meninas. Outro aspecto a ser destacado, foi a interação diferenciada que os jovens estabeleceram com os orientadores das atividades, demonstrando maior afinidade com os instrutores do que com as instrutoras. Tal fato pode remeter a uma carência de referenciais masculinos no grupo observado. Também foi possível constatar, durante os três dias de oficina, uma relativa transformação no comportamento interativo dos adolescentes. Estes, que inicialmente demonstravam um alto grau de competitividade e individualidade, foram no decorrer da atividade desenvolvendo um maior senso de solidariedade e coletividade. Acreditamos que tal mudança pode estar relacionada ao próprio comportamento que é estimulado na escalada, que prioriza uma interdependência e relação de confiança mútua entre os praticantes da modalidade. Desta forma pode-se observar que o desenvolvimento da atividade de certa forma acabou por influenciar positivamente no comportamento social destes jovens; contribuindo para uma maior cooperação e solidarização entre eles. Muito já se falou das potencialidades do esporte no que se refere ao desenvolvimento biológico e a manutenção de um estado de bem-estar físico, emocional e mental dos indivíduos. No entanto, uma observação mais acurada sobre a atividade esportiva, indica que esta é capaz de proporcionar momentos que vão além da expressividade corporal, atingindo também a subjetividade das construções identitárias. O que, mesmo que de forma incipiente, foi possível constatarmos neste presente trabalho, junto aos adolescentes da ONG Afrosul/ Odomodê.

Referências:
BOURDIEU, Pierre. Por um Programa de uma Sociologia do Esporte. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990.
ERIKSON, Erik H.. Identidade, juventude e crise. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
HELAL, Ronaldo. O que é sociologia do esporte. São Paulo: Brasiliense, 1990.
SANTOS, Helio. A busca de um caminho para o Brasil : a trilha do círculo vicioso. 2 ed. São Paulo: SENAC, 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Escola Superior de Educação Física. Grupo de Estudos Socioculturais em Educação Física. O esporte na cidade : estudos etnográficos sobre sociabilidades esportivas em espaços urbanos. Porto Alegre: Editora da Universidade/ UFRGS, 2007.

APOIO/ COLABORAÇÃO:
Associação Gaúcha de Montanhismo (AGM).
Escola Superior de Educação Física (ESEF)
ONG AFROSUL/ ODOMODÊ

EQUIPE:
Marilene Pare
Ruth Sabat
Dário Alberto Alves Bezerra
Mara Lucia da Silva
Patrícia da Rosa Pereira

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO APRESENTADOR:
Nome: Dário Alberto Alves Bezerra
Tel: (51) 91050829
E-mail: dariobezerra@yahoo.com.br