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UFRGS – UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
DEDS – DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL
/ PROGRAMA CONEXÕES DE SABERES – DIÁLOGOS ENTRE A UNIVERSIDADE
E AS COMUNIDADES POPULARES
TÍTULO: DESENVOLVENDO O DIÁLOGO ACADEMIA/ ONG AFROSUL: POTENCIALIDADES
DO ESPORTE NA SOCIALIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA
DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
SÍNTESE:
Este trabalho está vinculado às atividades do Programa Conexões
de Saberes/ UFRGS, e tem como objetivo analisar os processos de interação
social e construção identitária de adolescentes em
situação de vulnerabilidade social atendidos pela ONG Afrosul/
Odomodê, localizada no município de Porto Alegre. Através
da realização de observação participante com
estes adolescentes em uma oficina de iniciação à Escalada
Indoor, buscamos captar as formas interativas e os processos de individuação
específicos ativados por estes no exercício da atividade
esportiva.
PALAVRAS-CHAVE:
Construção identitária
Interação social
Esporte
ONG Afrosul/ Odomodê RESUMO:
O presente estudo é um desdobramento do Projeto de Extensão “Desenvolvendo
o diálogo Academia/ ONG AFROSUL”, que visa oportunizar uma
interface para os conhecimentos acadêmicos e populares, de bolsistas
do Programa Conexões de Saberes, da UFRGS/ SECAD/ MEC, e adolescentes
atendidos pela ONG AFROSUL/ ODOMODÊ. A referida ONG está localizada
no município de Porto Alegre, e atende diariamente, em média,
50 (cinqüenta) crianças e adolescentes em situação
de vulnerabilidade social, que em horário inverso ao escolar, participam
de oficinas de música, dança, malabares, expressão
corporal, atividades esportivas, capoeira, etc., do Programa “Arte é Educação”.
Igualmente, esta instituição presta ainda, atendimento social
aos moradores das comunidades de seu entorno, da Vila dos Anjos e da Vila
Sossego; de onde provém a grande maioria dos jovens atendidos pela
ONG. As atividades dos bolsistas do Programa Conexões de Saberes,
inseridos neste território, visa estabelecer uma via de “mão-dupla”:
por um lado, pretende dar oportunidade de acesso, sobre os conhecimentos
produzidos em âmbito acadêmico, aos adolescentes da ONG; e,
por outro, busca apreender os saberes populares que emergem e circulam
neste contexto. Através da realização específica
de oficinas de esporte, objetiva-se: a) observar e analisar as formas de
interação e individuação que estes jovens produzem
através da prática esportiva; b) oportunizar o exercício
de uma atividade esportiva diferente das atividades que eles estão
habituados a praticar, no presente caso, Escalada Indoor; e c) estudar
as possíveis relações entre o comportamento destes
jovens, que emerge no desenvolvimento destas atividades esportivas, e suas
construções identitárias. As oficinas de esporte foram
realizadas junto ao muro de escaladas, localizado no Ginásio 2 do
Campus Olímpico da Escola Superior de Educação Física
da UFRGS, durante três dias. A Escalada Indoor é uma atividade
realizada em murol, onde são dispostas agarras artificiais que simulam
o ambiente natural (rocha). Para a sua realização neste tipo
de espaço são poucos os materiais e equipamentos requeridos;
como tênis apropriado (sapatilha), roupa confortável (abrigo,
bermuda,etc.) e carbonato de magnésio (pó que mantém
as mãos secas, evitando que elas escorreguem nas agarras). Por intermédio
de contato com a Associação Gaúcha de Montanhismo
(AGM), foi estabelecida uma parceria fundamental para realização
do projeto. A AGM além de disponibilizar o espaço (muro)
e material necessário para a atividade (sapatilhas e pó de
magnésio) forneceu todo o suporte teórico/ técnico
para o desenvolvimento das atividades, por meio da orientação
de seus instrutores. Nosso objetivo a partir da realização
da oficina de Escalada Indoor visava, além do desenvolvimento de
uma observação-participante, aproximar o grupo de uma atividade
esportiva diferente, desmistificando a idéia recorrente, da impossibilidade
de aprendizagem de algum esporte, segundo critérios étnicos
e sociais e, assim, ao mesmo tempo fugir do lugar-comum, do esporte mais
praticado por estes adolescentes, a saber, o futebol. Observamos que os
adolescentes tiveram participação ativa na proposta da oficina,
comparecendo em grande número, ainda que os meninos tenham demonstrado
mais interesse do que as meninas. Outro aspecto a ser destacado, foi a
interação diferenciada que os jovens estabeleceram com os
orientadores das atividades, demonstrando maior afinidade com os instrutores
do que com as instrutoras. Tal fato pode remeter a uma carência de
referenciais masculinos no grupo observado. Também foi possível
constatar, durante os três dias de oficina, uma relativa transformação
no comportamento interativo dos adolescentes. Estes, que inicialmente demonstravam
um alto grau de competitividade e individualidade, foram no decorrer da
atividade desenvolvendo um maior senso de solidariedade e coletividade.
Acreditamos que tal mudança pode estar relacionada ao próprio
comportamento que é estimulado na escalada, que prioriza uma interdependência
e relação de confiança mútua entre os praticantes
da modalidade. Desta forma pode-se observar que o desenvolvimento da atividade
de certa forma acabou por influenciar positivamente no comportamento social
destes jovens; contribuindo para uma maior cooperação e solidarização
entre eles. Muito já se falou das potencialidades do esporte no
que se refere ao desenvolvimento biológico e a manutenção
de um estado de bem-estar físico, emocional e mental dos indivíduos.
No entanto, uma observação mais acurada sobre a atividade
esportiva, indica que esta é capaz de proporcionar momentos que
vão além da expressividade corporal, atingindo também
a subjetividade das construções identitárias. O que,
mesmo que de forma incipiente, foi possível constatarmos neste presente
trabalho, junto aos adolescentes da ONG Afrosul/ Odomodê.
Referências:
BOURDIEU, Pierre. Por um Programa de uma Sociologia do Esporte. Coisas
ditas. São Paulo: Brasiliense, 1990.
ERIKSON, Erik H.. Identidade, juventude e crise. 2.ed. Rio de Janeiro:
Zahar, 1976.
HELAL, Ronaldo. O que é sociologia do esporte. São Paulo:
Brasiliense, 1990.
SANTOS, Helio. A busca de um caminho para o Brasil : a trilha do círculo
vicioso. 2 ed. São Paulo: SENAC, 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Escola Superior de Educação
Física. Grupo de Estudos Socioculturais em Educação
Física. O esporte na cidade : estudos etnográficos sobre
sociabilidades esportivas em espaços urbanos. Porto Alegre: Editora
da Universidade/ UFRGS, 2007.
APOIO/ COLABORAÇÃO:
Associação Gaúcha de Montanhismo (AGM).
Escola Superior de Educação Física (ESEF)
ONG AFROSUL/ ODOMODÊ
EQUIPE:
Marilene Pare
Ruth Sabat
Dário Alberto Alves Bezerra
Mara Lucia da Silva
Patrícia da Rosa Pereira
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO APRESENTADOR:
Nome: Dário Alberto Alves Bezerra
Tel: (51) 91050829
E-mail: dariobezerra@yahoo.com.br
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